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Pilates e seus benefícios na terceira idade

Acompanho alunos que praticam Pilates há 21 anos ininterruptamente e é maravilhoso observar como próximos aos 80 anos eles se movimentam de maneira leve, equilibrada e segura, quando o esperado seria a diminuição gradativa das suas capacidades físicas. Vão e voltam do solo como adolescentes, se penduram pelos braços ou pernas como crianças, carregam pesos como jovens. Com a percepção ativada e muito positiva em relação aos seus corpos devido aos anos de prática de Pilates, possuem habilidade para se proteger de movimentos que possam causar dor ou lesão.

Contrariando a prática de épocas passadas onde se aconselhava aos mais velhos a fazer repouso e a evitar esforços físicos, hoje encontramos adultos com mais de sessenta anos em pleno vigor e sem problemas de saúde, colocando a realização de atividades físicas gentis e revigorantes para o corpo como parte integrante de suas vidas.

As manifestações de envelhecimento mais conhecidas, como a diminuição de massa e força muscular, associadas à diminuição dos hormônios sexuais e à fragilidade óssea, podem transformar atividades rotineiras, como levantar de uma cadeira ou abrir uma janela, em grandes desafios.

A aplicação de exercícios resistidos de forma moderada, presentes no Método Pilates, tem sido prescrita como a mais adequada à terceira idade, fortalecendo integralmente músculos e ossos. Quando bem realizada, apresenta baixo risco de acidentes vasculares em geral, oferecendo, segundo recentes pesquisas, maior segurança do que os exercícios aeróbios contínuos. O treinamento corporal por meio do Método Pilates com predominância de exercícios resistidos, em idosos, pode ser o grande aliado da manutenção da saúde e qualidade de vida durante o processo de envelhecimento.

Com a aplicação dos 6 princípios básicos – concentração, controle, centro, precisão, respiração e fluidez – somados ao vasto repertório de exercícios executados nos equipamentos e acessórios, com sets de 8 a 10 repeticões, frequência de duas a três vezes por semana e o aumento da intensidade das cargas de maneira gradual e cautelosa, as aulas de Pilates proporcionam ao aluno idoso um treino prazeroso e eficiente.

Os exercícios realizados nos equipamentos são mais seguros para alunos com mais idade do que os realizados com pesos livres, pois diminuem os riscos associados às deficiências visuais, falta de equilíbrio, dores, entre outros. Nas aulas os praticantes são submetidos a períodos curtos, regulares e repetidos de trabalho, complementados por períodos de repouso adequados. Os vários grupos musculares são solicitados de maneira diversificada e com cargas menores, sendo esta forma, segundo pesquisas, a mais indicada para o trabalho com alunos idosos.

A prática de Pilates, além de fortalecer músculos, ossos e normalizar a flexibilidade em todas as articulações, desenvolve e mantém a capacidade do aluno de desempenhar as atividades cotidianas de maneira espontânea e promove mais facilmente a execução de esforços comuns da vida diária, tanto de alta, como de média e baixa intensidades, imprescindíveis para a autonomia funcional e a diminuição de acidentes, propiciando inclusive mais segurança na realização das atividades aeróbias.

O primeiro passo está numa escolha acertada e apropriada de qual atividade física a ser feita. Quais os objetivos com a atividade? Performance? Vaidade? “Projeto verão”? Ou: Saúde? Qualidade de vida? Consciência e percepção do próprio corpo? Processo de envelhecimento com plena autonomia? Daí percebo, mais uma vez, como Joseph Pilates estava realmente à frente de seu tempo, pois em sua filosofia considerava como fundamental a prática de Pilates para a melhora e manutenção da qualidade de vida e da saúde, numa contra-corrente aos exercícios considerados por ele como artificiais, ou seja, aqueles que submetem o corpo a esforços sucessivos, em posições desequilibradas, sob tensões até a exaustão.

Cabe a nós, instrutores de Pilates, a responsabilidade e atuação como disseminadores das práticas de saúde, orientando os alunos, principalmente os mais jovens nesta tomada de decisão, para que continuemos, futuramente, a nos surpreender tão positivamente como estamos nos surpreendendo agora com nossos alunos de 60 anos ou mais.

Cristina Abrami

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